Seeb PA/AP

Home Bancários - Artigos

Artigos

Seguimos em luta pela igualdade

E-mail Imprimir PDF

Por Rosane da Silva*

Em 2008, na 12ª Plenária Nacional da CUT, aprovamos o relançamento da Campanha pela Igualdade na Vida, no Trabalho e no Movimento Sindical com o objetivo de denunciar e avançar na superação da desigualdade entre homens e mulheres, que é a base para a manutenção da sociedade patriarcal e capitalista.

A julgar pelos dados divulgados na pesquisa “As Estatísticas de Gênero - Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010”, produzidas pelo IBGE em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Diretoria de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (DPMRQ/MDA), lançada no dia 31 de outubro, o tema da campanha continua atual.

A publicação apresenta indicadores sobre aspectos populacionais, mercado de trabalho, rendimento, educação e pessoas com deficiência. Os dados estão desagregados por sexo, cor ou raça, grupos de idade, entre outras.[1] No presente texto vamos concentrar nossa avaliação em aspectos relacionados ao mundo do trabalho.

As mulheres estudam mais, mas ganham menos

Mesmo com índices superiores de escolaridade, as mulheres ganham em média 68% do que recebem os homens. “Em números absolutos, a pesquisa mostrou rendimento médio para os homens de R$ 1.587, contra R$ 1.074 das mulheres (67,7% do rendimento masculino). Em 2000, a desigualdade era ainda maior, com mulheres recebendo 65% do rendimento médio dos homens. Há variações regionais, mas a média é essa.”[2] As mulheres tiveram o maior aumento real do rendimento médio de todas as fontes na comparação entre 2010 e 2000 (12,0%), mas a disparidade permanece alta.

Os dados mostram que a questão racial e a territorial interferem na remuneração. O rendimento médio das mulheres pretas ou pardas (R$ 727) correspondia a 35,0% do rendimento médio dos homens brancos (R$ 2.086). As mulheres rurais são as que apresentam os rendimentos mais baixos (R$ 480), valor inferior ao salário mínimo vigente no período (R$ 510).

Conforme o tempo passa a diferença aumenta

Em média, as jovens de 18 a 24 anos de idade recebiam 88,0% do rendimento dos homens, enquanto as mulheres de 60 anos ou mais de idade apresentavam um rendimento equivalente a 64,0% do rendimento dos homens nesta faixa etária.

Esses números confirmam o que temos dito: o rendimento médio da população ocupada aumenta com a idade para ambos os sexos, assim como a desigualdade de rendimento por sexo.

Crescimento da taxa de formalização foi menor para as mulheres

Nem toda pessoa com trabalho considerado formal tem carteira assinada. Quando falamos em taxa de formalização estamos nos referindo também a pessoas com carteira de trabalho assinada, mas não só, fazem parte dos trabalhadores e trabalhadoras formais os funcionários públicos, os militares e os trabalhadores por conta própria e empregadores que contribuem para a previdência social. Esse número passou de 50,5% em 2000 para 58,6% em 2010.

Em 2000, 50% dos homens e 51,3% das mulheres tinham emprego formal, valores que aumentaram para 59,2% e 57,9% em 2010, respectivamente, ou seja, um aumento de 9,2% para os homens e 6,6% para as mulheres, tendência que se reproduz em todos os grupos de idade e de cor ou raça.

Entre as trabalhadoras de cor preta ou parda o crescimento da formalização foi ligeiramente superior (de 56,8% para 64,3%) ao das mulheres brancas

Apesar da maior inserção das mulheres no mercado de trabalho, e do aumento de seus salários, ainda enfrentamos o desafio da informalidade. Em 2010, 30,4% das mulheres de 16 anos ou mais de idade não tinham qualquer tipo de rendimento, percentual acima do observado para o total da população nessa faixa etária (25,1%) e para os homens (19,4%).

Aumenta número de mulheres que recebem até um salário mínimo

Em 2000, a proporção de pessoas com rendimento até um salário mínimo era 19,8%, sendo ligeiramente maior entre as mulheres (20,8%). Em 2010, essas proporções se elevaram para 29,8% e 33,7%, respectivamente. Os menores rendimentos têm sexo, cor ou raça e localidade, visto que 50,8% das mulheres pretas ou pardas da região Nordeste têm rendimento até um salário mínimo, assim como 59,3% das mulheres nas áreas rurais desta região.

Além da valorização do salário mínimo, houve aumento real do rendimento médio de todas as fontes na comparação entre 2010 e 2000. As mulheres tiveram o maior aumento relativo (12,0% frente a 7,9% dos homens). O crescimento do rendimento feminino reduziu um pouco as disparidades entre os sexos, mas não foi uniforme em todo o país.

Número de mulheres com carteira de trabalho assinada aumentou, porém menos que para os homens

A proporção de mulheres com carteira de trabalho assinada aumentou de 32,7% em 2000 para 39,8% em 2010. As mulheres brancas são maioria entre as trabalhadoras com carteira de trabalho assinada (58,4%).

Apesar de ser positivo esse crescimento é importante mencionar que foi inferior ao observado para os homens, cuja proporção aumentou de 36,5% para 46,5%. O diferencial entre os sexos passou de 3,8 pontos percentuais em 2000 para 6,7 pontos percentuais em 2010.

A participação das trabalhadoras domésticas na estrutura ocupacional das mulheres sofreu redução entre 2000 e 2010, passando de 18,5% para 15,1% das que trabalhavam. Aspectos positivos a serem ressaltado são: diminuição de trabalhadoras domésticas sem carteira de trabalho de 13,0% para 10,0% e a queda de 5,5% para 2,1% das trabalhadoras não remuneradas. Foram as duas formas de inserção nas relações de trabalho que mais sofreram redução entre as mulheres no período analisado.

As mulheres pretas ou pardas compõem a maior proporção de trabalhadoras domésticas com (57,0%) e sem carteira de trabalho assinada (62,3%).

Mulheres negras responsáveis por 38,7% das famílias

Das 50,0 milhões de famílias (únicas e conviventes principais) que residiam em domicílios particulares em 2010, 37,3% tinham a mulher como responsável.[3] Este indicador se eleva ligeiramente a 39,3% para famílias em áreas urbanas e diminuiu consideravelmente (24,8%) para famílias em áreas rurais. Do total de famílias com responsável de cor ou raça preta ou parda, 38,7% tinham a mulher nesta condição.

A participação das mulheres como responsáveis supera a média nacional quando analisados os domicílios com menor renda. Quando o ganho per capita é de até meio salário mínimo (R$ 362), a proporção de mulheres chefiando sobe para 40,8% e chega a 46,4% nas áreas urbanas. Já quando a renda é de mais de dois salários por pessoa da família (R$ 1.448), a taxa cai para 32,7%, cinco pontos percentuais abaixo da média geral (37,3%).

Apesar de chefiarem menos famílias nas áreas rurais, as mulheres têm maior contribuição na renda dessas residências, com 42,4%, contra 40,7% das famílias que moram nas áreas urbanas.

As mulheres nordestinas são as que mais participam da renda familiar, com 46,8%. Os lares rurais do Nordeste são os únicos em que a participação delas supera a dos homens, com 51%.

Ainda segundo a pesquisa, as mulheres pretas e pardas têm maior participação na renda de suas famílias que as brancas, com uma proporção de 42% contra 39,7%.

A importância das creches para as mulheres trabalhadoras

Um aspecto importante a ser enfatizado é o aumento da frequência escolar que ocorreu entre 2000 e 2010.

O maior incremento ocorreu para crianças de 4 a 5 anos de idade, cuja frequência a escolar passou de 51,4% em 2000 para 80,1% em 2010. Para a faixa de 6 a 14 anos o percentual mudou de 93,1% para 96,7% e, entre os jovens de 15 a 17 anos, de 77,7% para 83,3%.

Em 2010 o nível de ocupação das mulheres com filhos até três anos de idade que frequentavam creche (65,4%) é superior ao daquelas cujos filhos não frequentavam (41,2%) ou daquelas que têm apenas algum filho frequentando creche (40,3%). O nível de ocupação para mulheres que viviam em áreas urbanas e possuíam todos os filhos de até três anos frequentando creche (66,9%) foi 19,6 % maior do que o observado para as áreas rurais (47,3%).

O que leva a essa situação de diferença salarial?

Um aspecto a ser abordado é a segmentação das profissões e áreas de atuação. As mulheres possuem formação em áreas que apresentam menores rendimentos.

As áreas gerais de formação nas quais as mulheres com 25 anos ou mais de idade estão são: “Educação” (83,0%) e “Humanidades e Artes” (74,2%), justamente aquelas com menor rendimento mensal médio entre as pessoas ocupadas (R$ 1.811 e R$ 2.224, respectivamente). O diferencial se mantém mesmo quando a proporção de mulheres se torna equivalente à dos homens, como na área de “Ciências Sociais, Negócios e Direito”, onde as mulheres recebiam 66,3% do rendimento dos homens.

Outro dado interessante para refletirmos é o fato de no início de sua carreira profissional as jovens não terem tanta diferença salarial em relação aos jovens, porém, na medida em que o tempo passa essa diferença cresce. Isso ocorre porque não há equipamentos públicos para cuidado de crianças e demais pessoas dependentes, e também porque não há responsabilidade compartilhada. Por isso para nós é fundamental a licença parental de 180 dias para cada um dos pais e a construção de creches e equipamentos públicos.

Um aspecto positivo a ser mencionado, é a ampliação de vagas para crianças de quatro a seis anos, mas ainda há uma enorme lacuna em relação às crianças de zero a três anos, embora os dados apontem que as creches para filhos de até três anos impactaram positivamente no nível de ocupação das mães.

Também vale a pena citar a redução do número de trabalhadoras domésticas, combinado com o aumento de trabalhadoras com carteira assinada e a queda das trabalhadoras não remuneradas. Esses dados colocam na ordem do dia a necessidade de regulamentar os direitos dessas trabalhadoras.

Lutar para avançar

Esses dados demonstram que precisamos continuar a denunciar e lutar para superar as desigualdades entre mulheres e homens, objetivos que tínhamos quando relançamos a campanha.

É necessário aprofundar o debate, elaborar propostas e estabelecer estratégias para superar as situações que esses dados apresentam, para que as as mulheres tenham igualdade em sua vida, em seu local de trabalho e no movimento sindical.

Os números apontam importantes conquistas para as mulheres ao longo dos últimos dez anos: deu mais visibilidade e reconhecimento ao trabalho realizado pelas mulheres, ao garantir que um maior número delas tivesse acesso a trabalho formalizado, a empregos com carteira assinada e com maior investimento em políticas públicas tais como creche, que é um equipamento fundamental para possibilitar o acesso e a permanência das mulheres no mercado de trabalho.

As políticas sociais que impactam diretamente na vida das mulheres tiveram um imenso desenvolvimento nos governos Lula/Dilma. A presidenta foi reeleita, e as mulheres tiveram um papel fundamental nessa vitória. Porém, sabemos que a conjuntura nacional e internacional não será fácil e que teremos enormes desafios pela frente, quem somente serão superados com organização e luta, a começar pelo poder legislativo. O novo congresso eleito (câmara e senado) é muito mais conservador que o atual, tanto no que se refere aos direitos dos trabalhadores em geral, como das mulheres.

O governo Dilma representa a manutenção do compromisso com a manutenção do projeto democrático popular, porém para que haja as mudanças que o nosso país precisa, como por exemplo, a reforma política, será preciso um grande processo de mobilização e organização popular.

As mulheres provaram que tem organização e capacidade de mobilização para avançar em suas conquistas, um exemplo disso foi a aprovação da paridade para as direções estaduais e nacional da CUT, que iremos implementar no próximo período.

Como temos falado com insistência, para nós, a paridade não é apenas um número, é também um conjunto de políticas para avançar em direitos. E esse será nosso desafio em 2015: mobilização e organização para avançarmos em direitos para as mulheres, na vida, no trabalho e no movimento sindical.

*Rosane da Silva é secretária Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT


[1] Comunicação Social IBGE, 31 de outubro de 2014, divulgado pelo informes da Conexão Sindical. Todas as informações constam do Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG), que reúne dados dos Censos Demográficos 2000 e 2010, até o nível municipal, e é acessível no endereço http://www.ibge.gov. br/apps/snig/v1/

[2] Agência Brasil, publicada em 31 de outubro de 2014.

[3] O critério para definir a pessoa responsável pela família é de que seja aquela pessoa que era reconhecida como tal pelos demais membros da unidade doméstica.

Joomla Templates and Joomla Extensions by JoomlaVision.Com
 

Há o que se comemorar no dia da Consciência Negra?

E-mail Imprimir PDF

*Heider Alberto Costa

Quando em 20 de novembro de 1695 os bandeirantes assassinaram Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, acreditavam eles no fim definitivo do guerreiro e da resistência negra.

Revendo a história do Brasil décadas após de tê-la estudado na escola, percebe-se claramente que, propositadamente, ela sempre foi muito mal contada. Mas o simples fato de hoje poder identificar Zumbi como um grande herói negro brasileiro é sinal da vitória da luta travada por ele e indica que muito já se avançou nessa questão.

Neste dia de comemoração não serão poucos os que ingenuamente gritarão: Não existe racismo, somos todos iguais!

De fato há comprovação cientifica sobre a inexistência de raças diferentes na espécie humana, cientificamente só existe uma raça humana. Mas nossas relações sociais não nascem de postulados científicos. Se nossas vidas mudassem ao passo dos postulados científicos como poderíamos explicar a gigantesca presença da crença em Deus na sociedade? Já que a ciência não comprova a existência divina.

Portanto, para entender a essência da luta dos negros em busca de igualdade é imprescindível afastar-se da história oficial contada pelos antigos livros didáticos e dos rasos valores pautados na meritocracia que tentam nos levar a crer que há igualdade de oportunidades e de tratamento das pessoas independentemente de sua aparência física.

A história não contada nos livros mais populares omite o gigantes esforço feito pelo estado brasileiro para “branquear” a sua população, isso mesmo, o estado brasileiro investiu pesado na tentativa de “diluir” a cor do negro em seu povo e assim alcançar uma sociedade mais altiva, mais branca. O decreto Decreto nº 528, de 28 de Junho de 1890, é um dos grandes exemplos da referida política governamental, vejamos um trecho:

Parte Primeira (texto original)

Considerando que faz-se conveniente a concessão de favores que animem a iniciativa particular e auxiliem o desenvolvimento das propriedades agricolas, facilitando-lhes a acquisição de braços, de modo, porém, que seja attendida a conveniente collocação dos immigrantes, decreta:

CAPITULO I - DA INTRODUCÇÃO DE IMMIGRANTES

Art. 1º E' inteiramente livre a entrada, nos portos da Republica, dos individuos válidos e aptos para o trabalho, que não se acharem sujeitos á acção criminal do seu paiz, exceptuados os indigenas da Asia, ou da Africa que sómente mediante

autorização do Congresso Nacional poderão ser admittidos de accordo com as condições que forem então estipuladas.

Art. 3º A policia dos portos da Republica impedirá o desembarque de taes individuos, bem como dos mendigos e indigentes.

E como nada é por acaso, as intensas tendências de branqueamento e auto rejeição de traços ligados às origens africanas que são extremamente populares atualmente estão fortemente ligadas às teorias raciais do século dezenove. No Brasil o “Dr.” Nina Rodrigues (1862-1906), um dos fundadores da medicina legal no país, descreve com requinte a ideologia da elite daquele século:

“Ao brasileiro mais descuidado e imprevidente não pode deixar de impressionar a possibilidade da oposição futura, que já se deixa entrever, entre uma nação branca, forte e poderosa, provavelmente de origem teutônica, que se está constituindo nos estados do Sul, donde o clima e a civilização eliminarão a Raça Negra, ou a submeterão, de um lado; e, de outro lado, os estados do Norte, mestiços, vegetando na turbulência estéril de uma inteligência viva e pronta, mas associada à mais decidida inércia e indolência, ao desânimo e por vezes à subserviência, e assim, ameaçados de se converterem em pasto submisso de todas as explorações de régulos e pequenos ditadores.” (RODRIGUES, 1933)

Dessa forma, não haveria como se esperar que uma sociedade fundamentada na exploração desumana do povo negro, no genocídio do povo indígena, em ideologias altamente preconceituosas e políticas de estado que financiaram o sucesso dos brancos e ignoraram totalmente a existência dos negros estivesse hoje impregnada de um sentimento de tolerância e de respeito às diferenças étnico-raciais.

E de fato a imensa maioria da sociedade não se encontra assim, pois o cotidiano do negro ainda não está próximo a uma condição de equidade com o do branco, é uma situação recorrente na vida dos negros, demostrada claramente nos indicadores sociais da população negra.

Mas há que se considerar os avanços já alcançados, como por exemplo os dez anos de políticas afirmativas, a sanção da Lei 10.639/03 que institui a obrigatoriedade da inclusão da História da África e da Cultura Afrobrasileira nos currículos escolares, a decisão unanime do STF sobre a legalidade e legitimidade das ações afirmativas e cotas para negros nas universidades públicas, o Estatuto da Igualdade Racial (Lei n. 12.288/2010), A lei 12.711/2012, que prevê ingresso de negros, índios e pobres nas universidades públicas federais e a lei nº 12.990/2014 que reserva 20% das vagas nos concursos públicos da União para candidatos negros.

Essas leis expressam um conjunto de políticas afirmativas, que possuem reavaliações periódicas, implantadas recentemente pelo estado brasileiro como forma de reparar erros históricos e de garantir condições compatíveis para o acesso da população negra à educação superior e a postos mais elevados no mercado de trabalho, para reduzir situações como da categoria bancária em que somente 24% é negro ou pardo, conforme indica o Censo da Diversidade da categoria de 2014. Sem deixar de avaliar o mérito, mas reconhecendo que em alguns âmbitos não se pode tratar com igualdade pessoas que tiveram condições de cidadania extremamente desiguais.

E como a luta e a resistência são celebradas neste 20 de Novembro, há muito a comemorar nesse dia, mesmo tendo um longo caminho a percorrer e muitas batalhas a travar!


*Heider Alberto Costa é dirigente do Sindicato dos Bancários do Pará, empregado da Caixa Econômica Federal.


Joomla Templates and Joomla Extensions by JoomlaVision.Com
 

GREVE do Banco da Amazônia – A luta continua

E-mail Imprimir PDF

Ao contrário do que vem sendo divulgado pelo banco, que vem propalando que a categoria deve retornar imediatamente ao serviço – em razão do ajuizamento de dissídio coletivo, a greve segue forte não havendo motivo para desistir da luta por melhores condições de emprego e reajustes decentes.

Visando evitar qualquer confusão sobre o atual estado da greve no Banco da Amazônia, mostra-se relevante uma breve retrospectiva para levar ao conhecimento da categoria as vitórias obtidas judicialmente contra o banco:

Inicialmente, O BASA ajuizou interdito proibitório, onde conseguiu liminar contra o movimento de greve. Contudo, essa decisão foi logo suspensa por meio de outra liminar conseguida em sede mandado de segurança, nos seguintes termos:

“1. DEFERIR MEDIDA LIMINAR para suspender a liminar deferida nos autos do Processo n. 0001451-13.2014.5.08.0005;
2. Dar ciência do deferimento da liminar, em caráter de urgência, ao litisconsorte Banco da Amazônia S./A.;
3. Dar ciência ao impetrante da presente decisão através do DOJT;”

Logo, passou a inexistir qualquer liminar contra o movimento grevista.

Em sequência o banco emitiu, para todos os seus funcionários, comunicação interna que na prática visava ameaçar seus a categoria com a possibilidade de descontar de imediato os dias não trabalhados em razão da greve.

Não podendo se conformar com esse tipo de ameaça e, em face da flagrante ilegalidade e intransigência do banco, o sindicato ajuizou demanda coletiva, conseguindo liminar para impedir que qualquer tipo de desconto sobre os vencimentos dos colegas que aderiram ao movimento grevista. A decisão foi nos seguintes termos (Processo 0001273-49.2014.5.08.0010):

“Diante disso concedo a tutela antecipada, nos termos pretendidos na inicial, para que o requerido se abstenha de efetuar os descontos dos salários de seus empregados, referentes aos dias parados em razão do moimento grevista de 2014 até decisão final proferida por esta justiça do trabalho.”.

Por fim o banco suscitou Dissídio Coletivo de Greve perante o TST, onde requereu, dentre outros, liminar para suspender imediatamente o movimento grevista iniciado em 30.09 e a declaração de abusividade da greve.

Em mais uma nova derrota do banco o Ministro Vice Presidente do Tribunal Superior do Trabalho negou liminar pleiteado pelo banco, nos seguintes termos:

“Apenas se cogitaria de liminar para manutenção dos serviços essenciais, no quantitativo necessário para atendimento às necessidades inadiáveis da população. Ora, as atividades desenvolvidas pelo Suscitante não se encontram entre aquelas elencadas no art. 10 da Lei 7.783/89 como “serviços ou atividades essenciais”, capaz de justificar a manutenção de equipe de empregados em atividade, na forma do art. 9º da aludida lei, pois não se trata aqui de “compensação bancária” entre entidades financeiras distintas, mas de serviços bancários normais de uma única entidade financeira.
[...]
Pelo exposto, indefiro o pedido de liminar inaudita altera pars, com base nos arts. 9º, caput, da CF e 9º e 10, caput, da Lei 7.783/89.”

Logo, colega bancário, nada há que impeça o livre transcorrer do movimento grevista, não havendo qualquer obrigação de retorno ao trabalho pelo simples ajuizamento de dissídio coletivo e, tanto é assim, que o próprio TST e a justiça do trabalho como um todo tem rechaçado as tentativas do banco de frustrar a greve.

Assim, com os cumprimentos deste sindicato, renova-se o convite para que todos engrossem o movimento grevista, sobretudo porque somente com a união de todos será possível fazer frente aos mandos e desmandos da empresa, sendo enfim possível avançar na obtenção de ganhos reais para a categoria.

*Dra. Mary Cohen

Advogada do Sindicato dos Bancários do Pará

Joomla Templates and Joomla Extensions by JoomlaVision.Com
 

Fortalecer bancos públicos para gerar desenvolvimento e distribuição de renda

E-mail Imprimir PDF

Por Carlos Cordeiro*

Especialista em especulação financeira, o ex-presidente do Banco Central no período final do governo FHC, quando elevou a taxa Selic para 24,9%, Armínio Fraga, nome de Aécio Neves para ministro da Fazenda, tem uma antiga obsessão em desmontar os bancos públicos, para atender a um velho desejo dos bancos privados e dos neoliberais.

No dia 26 de junho de 2000, o jornal Valor Econômico publicou matéria de seu correspondente nos Estados Unidos, Cristiano Romero, com o título "Fraga anuncia debate para privatizar BB", na qual informa que o então presidente do BC participou de "reunião fechada com um grupo de investidores em Nova York (...) organizado pelo banco americano Merill Lynch", para "iniciar um debate sobre a possível privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal".

Segundo o jornal, "Fraga revelou que o governo está preparando relatórios detalhados sobre as atividades dos dois maiores bancos federais", um dos quais foi encomendado a um consórcio formado pelas consultorias Booz Allen, Hamilton & Fipe, na sequência das privatizações da Telebras, da Vale do Rio Doce e da CSN.

Depois de Nova York, acrescentou o Valor, Fraga manteve outra reunião com investidores em Boston, para "conversas preparatórias para a rodada de apresentação que a Petrobras e o BNDES farão no exterior, nas próximas semanas, sobre a venda das ações que excedem ao controle da União na estatal".

Em áudio que circula atualmente pela internet, gravado no ano passado durante palestra no Instituto Liberal, Armínio Fraga voltou ao tema das privatizações. Disse ele: "Penso que os bancos públicos precisam ser administrados por padrões muito mais rígidos. Provavelmente vai chegar um ponto em que talvez não tenham tantas funções. Não sei muito bem o que vai sobrar no final da linha. Talvez não muito."

Confira a declaração em https://soundcloud.com/jair-silva-31/arminio-fraga

É mais ou menos o que já propunha em 2000 o estudo do consórcio Booz Allen, Hamilton & Fipe sobre o papel do BB, da Caixa, do BNDES, do BNB e do Banco da Amazônia. Entre as alternativas apontadas, estavam a fusão de alguns e a privatização pura e simples de outros.

A sociedade brasileira não pode permitir esse retrocesso à década neoliberal dos tucanos e abrir mão dos bancos públicos, cuja importância para o desenvolvimento econômico e social do país tornaram-se mais evidentes do que nunca a partir da crise internacional de 2008, provocada pela irresponsabilidade do mercado financeiro a que Armínio Fraga representa.

Foi graças à atuação dos bancos públicos que o Brasil superou a crise. Os bancos privados fecharam a torneira e encareceram o crédito. Por decisão do governo, os bancos públicos ampliaram a oferta de crédito. Antes da crise, eles detinham 36% das operações de crédito de todo o sistema financeiro. Saltaram para 51% do mercado, mantendo assim a roda da economia funcionando, o consumo aquecido e gerando empregos.

Sem o aumento da oferta de crédito do BB para a agropecuária, a agricultura familiar, para empresas e consumidores, o Brasil não teria saído da crise muito mais rápido que qualquer país do mundo. Sem o financiamento da Caixa, não estaria fazendo o maior programa de construção de moradia de toda a História. Sem os financiamentos do BNDES, o Brasil não estaria modernizando suas estradas, portos, aeroportos, retomando a construção de ferrovias, obras de metrô e corredores de ônibus, usinas hidrelétricas e eólicas, dentre tantas outras coisas.

Além disso, os bancos públicos atuaram na crise como reguladores do spread bancário, multiplicando suas bases de clientes com crédito mais barato.

Agora os bancos privados, que na crise preferiram especular com o dinheiro empoçado e não cumpriram sua função de intermediação financeira, exigem a retração dos bancos públicos e a elevação da Selic, para que possam retomar o espaço perdido e aumentar seus lucros com os juros da dívida pública.

E é isso que o "ministro da Fazenda" de Aécio, que se tornou conhecido como operador do megaespeculador George Soros e hoje é sócio do banco norte-americano JP Morgan na Gávea Investimentos, está oferecendo à banca nacional e internacional.

Por isso o mercado financeiro está fazendo esse verdadeiro terrorismo eleitoral para eleger o candidato que atenderá suas demandas, além de ganhar dinheiro com a especulação na Bolsa de Valores - entidade, aliás, cujo Conselho de Administração já foi presidido por Armínio Fraga.

Nós, bancários, ao contrário, acreditamos que somente os bancos públicos podem se contrapor a essa política predatória do mercado financeiro contra o orçamento público e contra a sociedade. E por isso precisam ser fortalecidos, para que ampliem ainda mais a sua participação no financiamento do desenvolvimento econômico e social do país, com geração de empregos e distribuição de renda.

*Carlos Cordeiro é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)


Fonte: Contraf-CUT

Joomla Templates and Joomla Extensions by JoomlaVision.Com
 
Página 1 de 45

Siga-nos

  • Facebook: bancariospa
  • Twitter: sindibanpa
  • YouTube: sindibanpa/videos

sms4


Belém

Sede: Rua 28 de setembro, 1210 Reduto. CEP: 66053-355 - Belém - Pará Fone: (91) 3344-7799
Fax: (91) 3344-7764
veja-no-mapa

Marabá

Subsede: Rua 5 de abril, 990 (altos) Marabá Pioneira
CEP: 68500-040 - Marabá - Pará
Fone: (94) 3322-3276
veja-no-mapa 

Santarém

Subsede: Ed. Augusto Coimbra
Trav. 15 de agosto, 19-B, sala 01
Centro. CEP: 68005-300 - Santarém-PA
Fone: (93) 3064-5579
veja-no-mapa